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Bongar apresenta disco sobre a religiosidade do Terreiro Xambá

Com show no Auditório Ibirapuera, o grupo leva o público a compreender o diálogo entre a criação tradicional e contemporânea da juventude de terreiro; o disco é resultado do projeto  Ogum Iê!, selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, programa de fomento à cultura do instituto; consiste na gravação do álbum com oito músicas, compostas pelo vocalista Guitinho da Xambá e arranjos criados por Leite ao lado do Bongar

No dia 20 de maio, o Grupo Bongar lança no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer o disco Ogum Iê!, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016, um dos principais programas de incentivo à cultura do país. O novo trabalho é resultado da vivência dos integrantes do grupo no Terreiro Xambá, de São Benedito, em Olinda (PE), e traz a religiosidade, ancestralidade e tradição do local mesclada a uma sonoridade contemporânea. A produção musical é do maestro Letieres Leite, que também assumiu a flauta na música Sete Caminhos. O show conta com a participação de integrantes da comunidade: Tia Ziza e as adolescentes Yngrid e Laura, além de Gabriel da Xambá.

Ogum lê! é composto por oito faixas, sendo sete composições do vocalista, Guitinho da Xambá, e uma com toadas para os Orixás Exú e Ogum, cantadas pelo babalorixá Ivo da Xambá. As canções abordam o mitológico Orixá Ogum, que faz parte do cotidiano dos próprios músicos em sua comunidade. Todas serão tocadas no show, que apresenta um formato diferente do Bongar no palco, já que a alfaia – principal instrumento utilizado pelo grupo – não faz parte do repertório. As músicas são Ogum de Ronda, Ogum Onirê, Ògún, Ogum Meu Rei, Sete Caminhos, Estrada de Barro e Ogum Bragadá. O setlist também conta com Eleguá (Exu), Festa de Terreiro,  Eu vi uma estrela cadente galopar (Ogum Beira Mar) e as toadas Ogum, Ogum Laoré Ogum, Dereá Popogum e Ogum maiêê, Ogundê Arerê e Lá no Ayê Ogum Go Yleá.

A concepção do disco se baseia no diálogo estabelecido pelo Bongar entre a criação tradicional e contemporânea da juventude de Terreiro e combina o seu trabalho com o do maestro baiano Letieres Leite – uma referência nacional na interação da música tradicional de candomblé com a música erudita e formação musical de jovens.

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Integrantes do Bongar junto a Leite construíram os arranjos durante uma residência artística – parte do projeto selecionado pelo Rumos – realizada no Centro Cultural Grupo Bongar, em outubro do ano passado. Nela, o maestro fez uma imersão no cotidiano do povo xambá e na musicalidade do grupo, oriunda do Terreiro Xambá.

Os sons dos tambores ancestrais desse terreiro se unem à sonoridade da flauta, violão, cavaquinho, baixo, guitarra, trompete, sax, acordeom, trombone. A eles se juntam, ainda, elementos experimentais como latas, antena de TV e tonéis de metal, revelando a atmosfera sonora do orixá Ogum. Desta forma, a experiência também mostra a capacidade dos jovens do lugar em transformar seus elementos tradicionais, sem perder referências culturais, garantindo a manutenção dos mais jovens ao lado de suas tradições agora ressignificadas.

Ogum Iê! não é apenas um registro fonográfico, mas um projeto de preservação e valorização da criatividade musical desenvolvida pelos jovens do Grupo Bongar”, afirma Guitinho da Xambá. “É um disco que carrega o sentimento da valorização da música negra desenvolvida pela juventude de terreiro de candomblé, conectada a um diálogo entre a tradição e a ressignificação das periferias do Brasil.”

A gravação do álbum contou com participações especiais de vários músicos: Julio Fejuca (violão e cavaquinho), Gabriel Levy (Acordeon), Letieres Leite (flautas), Gabriel da Xambá (percussão), Bruno Giorgi (guitarra, bandolim e baixo) e os músicos da Orkestra Rumpilezz: André Becker (sax alto e sax barítono), Guiga Scott e Rudney Machado (trompete) e Gilmar Chaves (trombone).

O início

A ideia de se fazer o Ogum Iê! nasceu em 2009, quando Guitinho da Xambá resolveu fazer um disco inteiro em homenagem ao seu orixá, Ogum. Depois de contemplado pelo Rumos, o disco começou a ganhar forma em julho de 2016, com a visita de Letieres Leite ao terreiro, a convite do grupo, para fazer a produção musical do álbum e conhecer de perto o trabalho realizado por eles na comunidade. Em outubro, o Bongar realizou uma residência artística com o maestro para a elaboração dos arranjos das sete faixas do disco, compostas por Guitinho. A gravação de Ogum Iê! ocorreu em novembro de 2016, no Estúdio Cachuera! em São Paulo. A captação do toque no Terreiro Xambá foi realizada pelo Estúdio Carranca (PE).

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Rumos Itaú Cultural

O Itaú Cultural mantém o programa Rumos desde 1997. Este que é um dos primeiros editais públicos do Brasil para a produção e a difusão de trabalhos de artistas, produtores e pesquisadores brasileiros, já ultrapassou os 52 mil projetos inscritos vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,3 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 6 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados. Na última edição (2015-2016), as propostas inscritas foram examinadas, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 30 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país. Em seguida, passaram por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 22 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição.

Ficha Técnica do show:

Voz principal: Guitinho da Xambá

Percussão geral e coro: Neta da Xambá, Nino da Xambá, Beto da Xambá, Thúlio da Xambá, Memé da Xambá

Coro feminino da Xambá: Ziza da Xambá, Yngrid da Xambá, Laura da Xambá

SERVIÇO

Rumos Itaú Cultural 2015-2016

Ogum Iê!

De Grupo Bongar

Dia 20 de maio

Às 21h

Ingressos:

Inteira: R$ 20,00

Meia: R$10,00

Vendas iniciadas no dia 5 de maio

Classificação indicativa: livre

Auditório Ibirapuera

806 lugares (com espaços para cadeirantes, obesos e portadores de necessidade especiais)

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Parque do Ibirapuera

. Thays Andrade

Editora do portal Áfricas

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