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Cultura negra pulsa em Brasília

Nesta sexta-feira, 21 de abril, Brasília completa 57 anos de sua inauguração. Também em 2017, no mês de dezembro, faz 30 anos que a capital do Brasil foi tombada pela Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas (Unesco) como Patrimônio Cultural da Humanidade. Marco da arquitetura moderna, Brasília reúne importantes expressões afro-brasileiras.

O movimento hip hop se destaca como uma das principais manifestações artísticas negras brasilienses, personificado na dança (break), nas artes visuais (grafite) e na música (rap). O hip hop está presente em todo o Distrito Federal, como uma forma de luta contra o racismo, o preconceito, a violência e a desigualdade social. Vários artistas de rap do DF alcançaram projeção nacional ao falar com ritmo e poesia (sigla do rap traduzido do original em inglês) da vida das suas comunidades, como a banda Câmbio Negro, GOG e DJ Jamaika.

Os negros também se destacaram recentemente no cinema brasiliense no filme Branco Sai Preto Fica, de Adirley Queirós. Premiada como Melhor Filme do Festival de Brasília de 2014, a película tem ares de ficção científica mas foca principalmente em dois jovens negros que tiveram suas vidas abaladas após serem vítimas de um episódio violento, na década de 80. Rodada em Ceilândia, a produção destaca a cultura black e hip hop.

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Samba no pé

Uma das músicas mais tradicionais do Brasil, o samba se deu bem na capital federal. Batizada por Natal da Portela, a Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro (Aruc) nasceu no dia 21 de outubro de 1961, Bairro do Gavião, hoje Cruzeiro Velho, um reduto de cariocas em Brasília.

Além de uma agremiação, a Aruc funciona como espaço cultural que divulga o samba e a cultura negra. Ao longo de mais de 55 anos de história, a escola recebeu shows de alguns dos maiores sambistas de todos os tempos, como Zé Keti, Nelson Sargento, Cartola, Monarco, João Nogueira, Zeca Pagodinho e Beth Carvalho.

De Brasília saiu a cantora Renata Jambeiro, uma das revelações do samba nacional. Renata começou a se projetar aos 16 anos, em musicais de Oswaldo Montenegro. Anos depois, cantou ao lado de nomes como Dona Ivone Lara, Monarco, Leci Brandão e Noca da Portela. Radicada no Rio, Renata é presença nos palcos do Brasil inteiro. Também da capital do Brasil para o Rio de Janeiro, o violonista Rafael dos Anjos é considerado um dos virtuoses contemporâneos de seu instrumento e integra a banda do sambista Arlindo Cruz.

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Contra a intolerância

Junto com as expressões artísticas, Brasília abriga vários terreiros onde se celebram as religiões de matriz afro. Às margens do Lago Paranoá, a Praça dos Orixás, conhecida como Prainha, abriga 16 estátuas de divindades afro-brasileiras, criadas pelo artista baiano Tatti Moreno. Local para celebração de rituais, inclusive na noite de Ano Novo, a Prainha já foi alvo da intolerância religiosa. Vândalos depredaram e atearam fogo nas estátuas.

Para combater esse tipo de violência, Brasília é pioneira por ter criado, em 2015, a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin). O órgão surgiu para enfrentar ações como atentados que ocorriam contra terreiros.

http://www.palmares.gov.br/?p=45402

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