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Érika Januza

Érika Januza fala sobre racismo e o seu trabalho na televisão

 

Intérprete de Raquel, de ‘O Outro Lado do Paraíso’, atriz mineira não imaginava que sua vida fosse mudar tanto nos últimos cinco anos

Érika Januza, que dava expediente na secretaria de uma escola em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, largou o antigo ofício e decidiu seguir a carreira de atriz. Hoje, aos 32 anos, ela traz no currículo três séries e um filme e está em sua terceira novela – Érika interpreta a juíza Raquel, um dos personagens de destaque de “O Outro Lado do Paraíso”, atual folhetim das nove da Globo. E coube à atriz mineira ser a porta-voz de um assunto polêmico abordado na trama assinada por Walcyr Carrasco: o racismo.

“Um novo desafio muito feliz. Não me canso de dizer que foi um presente de Walcyr, um presente da vida pra mim. É um assunto que eu gosto muito de falar, que faz parte do meu dia a dia, que eu gosto de discutir e que precisa ser discutido”, comemora Érika. “Ele (Walcyr) está trazendo o tema para debate junto com o amor, que é algo que estamos precisando tanto! E vai mostrar a força que o amor pode ter na luta contra o preconceito, não só racial, mas social também”, comenta.

Na história, Raquel é uma jovem que cresceu num quilombo e que, ao se apaixonar por Bruno (Caio Paduan), de família rica do Tocantins, foi vítima de preconceito racial e social e, por isso, foi separada de seu grande amor. Mesmo com o coração partido, a moça seguiu atrás do sonho de se tornar uma magistrada; estudou, tornou-se juíza e voltou para Palmas, onde encara todos aqueles que a maltrataram no passado. “Fui agraciada por ter uma personagem que era, sim, empregada, mas que teve uma virada. Ter uma personagem tão importante em um horário também tão importante, para mim, é uma grande vitória, pois mostra que as coisas estão mudando, que pode ser diferente. Raquel é um grande exemplo disso”, afirma.

Apesar de o tema preconceito ainda gerar muita polêmica, Érika conta que sua personagem tem sido bem recebida pelo público e que percebe isso nas ruas e também nas redes sociais. “O engraçado é que ela está atraindo públicos diversos. Crianças vêm falar comigo, e não é Raquel, é a juíza. ‘Olha a juíza’, elas falam. Acho maravilhoso”, revela aos risos. Pela internet, ela tem recebido depoimentos de pessoas que passaram por situações semelhantes à de Raquel. “Eu já li história de casal inter-racial e que se identifica com algumas coisas que a gente mostra na novela. Eu fico muito feliz, pois acho importante um personagem que passa essa identificação”, explica.

Toda essa repercussão positiva de Raquel pegou sua intérprete de surpresa. Mas a mineira vibra como esse momento. “Quando fui ao Jalapão (TO), conheci uma mulher que é como se fosse a mãe do quilombo da região e que é chamada de ‘doutora’. Ela falava para mim: ‘Você vai brilhar igual capim dourado’. Eu não esqueço essas palavras”, relembra a atriz. “É um retorno que eu não esperava, mas que só me surpreendeu positivamente”, acrescenta.

Em cena. Na primeira fase de “O Outro Lado do Paraíso”, Érika trabalhou ao lado de Zezé Motta, que interpretou a conselheira do quilombo onde Raquel foi criada. A artista não esconde o orgulho por ter atuado ao lado da veterana atriz, que foi vítima de preconceito nos anos 80 – na novela “Corpo a Corpo” (1984), ela formava par romântico com o ator e diretor Marcos Paulo (1951-2012) e sofreu grande rejeição do público devido à cor de sua pele.

“Quando soube que a Zezé estaria na novela, fiquei muito feliz, pois admiro muito o trabalho dela, é uma das referências que a gente tem. E eu soube que ela passou por muita coisa no passado. Antes de encontrá-la, já tinha lido sobre essas histórias. Quando a encontrei, fiz questão de perguntar e saber de toda a história dela”, observa a artista.

“Antigamente, não se viam negros em papéis de destaque. Hoje, eu vejo que estamos evoluindo, mas falta muita coisa ainda. Zezé Motta, Ruth de Souza e outros artistas abriram as portas, e nós estamos dando continuidade. E que mais pessoas venham, que mais negros estejam em papéis de destaque. Que os negros possam fazer qualquer papel, independente de cor da pele. A meta pra mim é essa. Independente do clichê da empregada negra, do motorista negro, a gente pode ser o que quiser ser, e que a TV ajude a mostrar isso cada vez mais”, pontua Érika.

Currículo

Confira alguns trabalhos de Érika Januza no universo das artes

Televisão:

“Suburbia” (2012)

“Copa Hotel” (2013)

“Em Família” (2014)

“Os Suburbanos” (2015)

“Totalmente Demais” (2016)

“Sol Nascente” (2016)

“O Outro Lado do Paraíso” (2017-2018)

Cinema:

“O Filme da Minha Vida” (2017)

“Zezé Motta – O Musical” (2014)

“Paixão de Cristo” (2016)

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