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Grace Passô leva à Europa reflexões sobre negritude e identidade

por Mônica Aguiar colunista do Portal Áfricas
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O RFI Convida a atriz, escritora e dramaturga Grace Passô, vencedora do Prêmio Cesgranrio 2017 na categoria Melhor Texto Nacional Inédito com “Mata Teu Pai” e do prêmio de Melhor Atriz do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, por sua participação no filme “Praça Paris”, de Lucia Murat. Grace, que também tem no currículo alguns dos prêmios mais importantes das Artes Cênicas brasileiras, como o Shell, o APTR e o APCA, apresentou o espetáculo “Preto”, cujo texto ela co-assina com o diretor da peça, Márcio Abreu, no Teatro-Cinema Paul Eluard, em Choisy-le-Roi, nos arredores de Paris, em 2 de fevereiro de 2018.

“‘Preto’ é um espetáculo da Companhia Brasileira de Teatro, com direção do Márcio Abreu; o grupo é formado por atores e atrizes que vêm de diferentes cidades brasileiras. A peça é uma dramaturgia que foi elaborada por mim e pelo Márcio e pela Nádia [iluminação], a partri de improvisos dos atores e atrizes dentro da sala de ensaio, partindo de reflexões sobre a negritude brasileira”, explica Grace Passô.
“O elenco é formado por pessoas negras e brancas. Ao longo de mais de um ano trocamos uma série de materiais e mergulhamos em uma série de estudos e experiências com esse desafio”, conta a atriz e dramaturga mineira. 
“Existe uma questão hoje de extrema importância, que faz parte um pouco do alfabeto que as militâncias negras brasileiras vêm colocando na nossa sociedade, que é a importância de que a história negra seja contada a partir da perspectiva dos negros. Existe uma questão muito cruel no país; ao longo da nossa História, costumamos ouvir narrativas negras a partir do ponto de vista de pessoas não-negras”, afirma.
“O fato do elenco da peça ser formado por pessoas negras e não-negras nos fez, de certa forma, falar sobre a identidade de cada um. Verdadeiramente não falamos sobre a questão da negritude o tempo inteiro, mas atores e atrizes são incentivados a falarem sobre suas raízes e suas identidades formadoras. A partir das nossas diferenças expostas, a partir disso a gente fala sobre negritude e passamos por questões, por exemplo, como aquelas relacionadas ao racismo”, diz a artista.

Depois da França, o espetáculo “Preto”, deverá ser apresentado também em Berlim, em maio de 2018, depois de uma carreira europeia que passou, até agora, por Dresden e Frankfurt.  


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