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Hattie McDaniel, primeira mulher negra a vencer um Oscar, vai ganhar cinebiografia

por Mônica Aguiar colunista do Portal Áfricas
Hattie McDaniel, a primeira mulher negra a  vencer um Oscar, vai ganhar uma cinebiografia sobre sua trajetória. 
Ainda sem elenco e data de estreia, longa será produzido por Alysia Allen e Aaron Magnani
Filha de um casal ex-escravos, recebeu a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante em 1940 por seu papel como Mommy em “E o Vento Levou”. A produtora Alysia Allen obteve os direitos de filme para a biografia de Jill Watts “Hattie McDaniel: Black Ambition, White Hollywood” e produzirá o longa com Aaron Magnani. Atualmente, os produtores estão procurando o roteirista certo para adaptar o livro para as telonas; não há data prevista de estreia nem nomes para o elenco.
A mais nova de 13 irmãos e nascida em 10 de junho de 1895, em Wichita, no Estado do Kansas, a atriz começou sua carreira como uma performer de Vaudeville (antigo gênero de entretenimento de variedades predominante nos EUA e Canadá do fim do século XIX) e como uma das primeiras afrodescendentes a trabalhar em rádio.
 Em 1910, ela foi a única pessoa negra a participar do evento Women’s Christian Temperance Movement, no qual a ganhou uma medalha de ouro por recitar um poema que ela mesma escrevera, “Convict Joe”. Em 1925, começou a cantar na KOA, uma estação de rádio em Denver, e seu trabalho como musicista a levou a gravar várias canções, das quais a maioria ela mesma tinha composto, foi uma das primeiras mulheres afro-americanas a cantar no rádio
Em 1931, Hattie se mudou para Los Angeles ao lado dos irmãos Sam, Etta e Orlena. Quando não conseguia papel em filmes, trabalhava como empregada doméstica. Sam trabalhava num programa de rádio chamado “The Optimistic Do-Nut Hour”, no qual conseguiu uma participação para a caçula da família. Depois disso, sua carreira deslanchou e ela se tornou extremamente popular, virando uma estrela. No início dos anos 30, conseguiu vários papéis em diversos filmes, no entanto, seu nome não era creditado em grande parte. Ela apareceu em inúmeras produções desta década e tornou-se mais conhecida por sua participação em “E o Vento Levou”, dirigido Victor Fleming, como Mammy.
Sua atuação lhe rendeu uma distinção no mais cobiçado prêmio do cinema. “Este é um dos momentos mais felizes da minha vida. Espero sinceramente ser sempre motivo de orgulho para a minha raça e para a indústria do cinema”, agradeceu, emocionada, ao pegar sua estatueta. 
Para receber seu prêmio,  os organizadores do Oscar tiveram que pedir uma autorização especial para que McDaniel pudesse comparecer ao evento, pois o edifício onde a cerimônia ocorreu não permitia a entrada de pessoas negras.
Este foi apenas um de seus 74 personagens vividos nas telonas, os quais eram sobretudo criada, serva ou empregada. Após os estereótipos e durante uma época de graves obstáculos raciais, Hattie é creditada como responsável por abrir os olhos de Hollywood para criar papéis mais multidimensionais para a comunidade negra.
A artista morreu aos 57 anos de idade, no hospital da Casa para os Artistas de Cinema e Televisão, em 26 de outubro de 1952, vítima de um câncer de mama. Em seu testamento, ela deixou seus pedidos finais, conforme relatado na biografia: “Eu desejo um caixão branco e uma mortalha branca, gardênias brancas no meu cabelo e nas minhas mãos, juntamente com uma manta branca de gardênia e um travesseiro de rosas vermelhas. Eu também desejo ser enterrada no Cemitério de Hollywood”.
Fonte : Correio do Povo   / Complementações e informações:  Mônica Aguiar / Foto : Foto: Academia de Artes e Ciências Cinematográficas / Divulgação / CP


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