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Livros de Ficção Científica Escrito por Mulheres

por Mônica Aguiar colunista do Portal Áfricas


Octavia Butler foi a primeira autora negra de ficção científica a ser reconhecida mundialmente.

Escreveu vários livros feminista, tendo com o tema, geralmente, racismo e preconceito
Pare o que você está fazendo agora e pense em três escritores de ficção científica. 
Pensou? Pois bem, Isaac Asimov, Philip K. Dick e George Orwell provavelmente aparecem nesse breve exercício de memória. Isso traz a tona uma informação meio óbvia, mas que merece ser ressaltada: a literatura de ficção científica é um campo ainda dominado por homens. Em sua maioria, homens brancos com uma visão restrita de mundo.
Isso não significa que as mulheres estão fora desse área de atuação.
Pelo contrário, a história da literatura de ficção científica e de seus subgêneros (cyberpunk, space opera, distopia, viagem no tempo e invasão alienígena) é povoada por grandes escritoras, mulheres que pensaram outras realidades sob cenários surpreendentes e, por meio de suas narrativas, desencadearam reflexões sobre questões sociais como feminismo, política e religião.
Aqui estão 7 escritoras que se aventuraram com sucesso pela ficção científica. Com obras premiadas e carreiras consagradas, elas mostram que esse gênero literário pode ser ainda mais rico e diverso do que você imaginava.

Octavia E. Butler

Filha de uma empregada doméstica e um engraxate, a norte-americana Octavia Butler foi a primeira autora negra de ficção científica a ser reconhecida mundialmente. Ela escreveu contos, ensaios e 15 livros ao longo de sua carreira. Por eles, recebeu mais 20 indicações e diversos prêmios, incluindo Nebula e Hugo – duas das mais prestigiadas honrarias de ficção científica e fantasia. Seu romance mais emblemático, Kindred, acaba de ser publicado no Brasil pela editora Morro Branco depois de 40 anos do lançamento original. A trama é sobre Dana, uma mulher negra que nos anos 70 vive sucessivos episódios de volta no tempo, para os EUA dos início do século 19. Questões de raça e gênero permeiam o livro que já vendeu mais de meio milhão de cópias e que tornou Octavia conhecida como a “Grande Dama da Ficção Científca”.

Charlotte Perkins Gilman

Charlotte Perkins Gilman (1860-1935) é uma escritora com obra consagrada, cujos livros trazem o feminismo como espinha dorsal. A obra mais conhecida norte-americana é O Papel de Parede Amarelo, título que se tornou leitura obrigatória em diversas escolas de Ensino Médio nos EUA. Mas aqui, vale ressaltar outro grande título de seu currículo: Herland – A Terra das Mulheres, lançado em 1915 no periódico The Forerunner, publicada Brasil pela editora Francisco Alves e encontrada hoje apenas em sebos. Considerado uma “distopia feminista”, o livro conta a história de três rapazes americanos que fazem uma expedição a um país desconhecido (Herland, do título) composto apenas por mulheres e meninas há mais de 2000 anos. Com a imagem cristalizada do ideal de mulher que conheciam, eles se surpreendem com o que encontram nesse novo lugar. Nesse lugar, não há mais guerras e violência e a reprodução assexuada é o que regra as vidas.

 Ayn Rand


Política, filosofia e o conceito de individualismo se entrelaçam na obra de Ayn Rand. Escritora russa de origem judaica, Ayn fugiu da Revolução Comunista de 1917 e se instalou nos Estados Unidos em 1926 onde construiu uma carreira de sucesso como escritora, dramaturga e roteirista. Uma de suas obras mais célebres é A Nascente, que conta a história de Howard Roark, um jovem que se recusa a seguir os padrões de uma sociedade que não compreende seu modo independente de pensar e agir. Roark não abre mão de seus valores e longe da faculdade, acaba pagando um preço alto que envolve desemprego, pobreza e humilhação pública. A trama traz a tona uma ideia que a autora defendeu durante toda a sua trajetória: a de que o homem nasce livre e pode fazer o que desejar.

 Mary Shelley

Nascida em Londres, Mary Shelley (1797-1851) foi pioneira na ficção científica antes mesmo da consolidação do gênero literário com esse nome. Sua obra mais conhecida é Frankenstein, publicada em 1818 e adaptada incontáveis vezes para o teatro, cinema e televisão. O livro conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante de ciências naturais que, mexendo com tecidos mortos, descobre a fórmula da criação de um ser consciente. Essa descoberta dá origem à Criatura. Victor rejeita o ser que criou e recebe como retribuição o ódio da Criatura – que passa a aterrorizar todos os seus familiares. Frankenstein é a obra-prima de Mary, mas não o único título de sua carreira. Ela escreveu outros romances, livros de memórias e também colaborou com contos e ensaios para publicações como Keepsake Westminster Review.

Suzanne Collins

Nascida em 1962 em Connecticut, nos EUA, a escrita americana Suzanne Collins trabalhou como roteirista de diversos programa infantis antes de escrever Jogos Vorazes, título infanto-juvenil que se tornou fenômeno em todo o mundo no final dos anos 2000. A trama do livro se passa em um futuro distópico onde adolescentes são forçados a participar de um jogo de vida ou morte transmitido pela televisão. A ideia para livro surgiu em um dia que Suzanne estava em frente à TV. Em um canal, ela viu um grupo de competidores de um reality show. No outro, imagens gravadas na Guerra do Iraque. A combinação dos dois temas recebeu ainda influência do mito de Teseu e o Minotauro. O resultado? Sucesso. Como se sabe, o título foi o primeiro de uma trilogia, adaptada posteriormente – e também com sucesso – para o cinema.

Ursula K. Le Guin


No planeta Gethen, todos os habitantes são “ambissexuais”. Isso signifca que são todos ao mesmo tempo homens e mulheres. Não há gênero em Gethen e, consequentemente, não há também machismo. A manifestação biológica ocorre somente nos períodos de procriação, quando os todos podem escolher o sexo que vão assumir. Diferente de todos os habitantes, o protagonista Genly tem gênero definido e pode acasalar a qualquer momento. No contexto de Gethen, isso faz dele uma aberração. Em linhas gerais, é essa trama de A Mão Esquerda da Escuridão, publicado em 1969 e considerado a obra-prima da escritora Ursula K. Le Guin. Hoje com 87 anos, a escritora foi a primeira mulher a conquistar os maiores prêmios da ficção científica (Hugo e Nebula). A obra vasta da norte americana reúne 21 romances, 12 livros de poesia, 13 títulos infantis, além de coletâneas de contos, críticas e roteiros.

 Margareth Atwood


Em um futuro próximo, os EUA vivem sob uma ditadura militar, uma teocracia. Os direitos das mulheres são retirados e elas são divididas entre férteis e inférteis. As férteis são mantidas na casa dos comandantes do governo, onde uma vez por mês são estupradas por eles. Essas mulheres agora precisam trazer novas vidas ao país, que passou a se chamar “Gilead”. Temas atuais como a opressão sofrida pelas mulheres e o fundamentalismo cristão na política se combinam em O Conto de Aia, romance distópico de Margareth Atwood, lançado em 1985, que voltou aos holofotes neste ano após a premiada adaptação para a TV pelo serviço de streaming Hulu. Considerada um dos principais nomes da literatura contemporânea em língua inglesa, a canadense tem títulos reverenciados não só dentro da ficção científica. Margareth coleciona mais 50 livros no currículo, entre reunião de contos, poesias, títulos infantis e de não-ficção.
Fonte texto : HuffPost Brasil  / Fotos: MONTAGEM/GETTY/DIVULGAÇÃO

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