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O incômodo da UOL com a mídia alternativa

Por Washington Lúcio Andrade

Em 2014, por exemplo, o jornal impresso O Globo, sozinho, recebeu R$ 21,5 milhões enquanto todas as mídias alternativas juntas receberam apenas R$ 9,2 milhões.

Charge-Midia3-webNesta última semana o jornalista Fernando Rodrigues publicou em seu blog na UOL (controlado pelo Grupo Folha) dados sobre investimentos da Secretaria de Comunicação Social (SECOM), do governo federal, em publicidade em veículos da mídia nos últimos doze anos. No texto, Rodrigues, questiona a postura do governo em direcionar parte destes investimentos para as mídias alternativas. Sabemos, ao contrário, que o fortalecimento das mídias alternativas é a melhor solução para fortalecer a democracia, a opinião pública esclarecida e a pluralidade de ideias.

Se os investimentos estão difíceis para a mídia alternativa em geral, para as mídias negras, especificadamente, as coisas estão um pouco mais. As chamadas mídias negras são veículos da mídia alternativa voltados na cobertura de temas ligados a questão étnica. Vigilantes e atuantes, colaboram para a divulgação de artistas, jornalistas e realizadores da comunidade negra, se contrapondo às mídias hegemônicas, que infelizmente, ainda reproduzem a desigualdade racial de nosso país.

A matéria de Rodrigues questionava o investimento direcionado a mídias alternativas, usando como régua, o número de visitantes únicos em um comparativo destas mídias com as hegemônicas. Seu ponto foi bem claro: quem tem mais visitante tem direito a mais recursos.

Nos últimos doze anos, veículos como a revista Veja, o jornal impresso O Globo e a TV Globo aparecem como os principais beneficiados por investimentos em publicidade federal através de empresas estatais.  Em 2014, por exemplo, o jornal impresso O Globo, sozinho, recebeu R$ 21,5 milhões enquanto todas as mídias alternativas juntas receberam apenas R$ 9,2 milhões.

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Nos últimos 12 anos a empresa mais beneficiada com recursos de propaganda federal na televisão brasileira foi a rede Globo, recebendo um total de R$ 6,2 bilhões.  No meio virtual, no ano de 2014, o principal beneficiado foi o portal UOL (pertencente ao grupo Folha) com R$ 14,7 milhões. Entre os jornais impressos, em 2014, o Globo foi o que recebeu maior verba, um total de R$ 21,5 milhões. No setor de revistas, a Veja ficou em primeira colocada, em 2014, recebendo R$ 19,9 milhões. Nos últimos 12 anos a revista Veja recebeu um total de R$ 379,9 milhões de reais.

A mídia hegemônica no Brasil, controlada por uns pares de famílias, continuam operando com o objetivo de influenciar nas decisões políticas do nosso país. A função de transparência, compromisso social e étnico, fica em segundo plano. Sobrevivendo de carrosséis da corrupção do mundo da política e fofocas das tendências de mercado as mídias hegemônicas não podem ser a prioridade dos investimentos do governo federal. As mídias negras, e todas as mídias alternativas, precisam receber maior atenção e apoio, para que possam continuar colaborando na construção de um novo pacto social brasileiro, mais justo e sem discriminação racial.

 

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